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domingo, 26 de junho de 2011

Quinta da Malvásia, em Unhos (Loures)


A Quinta da Malvázia (Unhos) e a sua Capela de Nossa Senhora da Esperança

(Imagem: Bing Maps)

Na Freguesia de Unhos, temos a antiga Quinta da Malvázia, que pertenceu aos descendentes de Gaspar Pereira do Lago (c. 1540-?) (corregedor do crime da corte), e que foi morto pelos «levantados que seguião o Ermitão da Eyriceira» *, segundo nos diz o Padre António Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa, e que hoje pertence ao Instituto Nacional de Reabilitação, sendo um centro de formação e recuperação de pessoas com deficiência.

Não sendo das quintas históricas da região de Lisboa, a mais conhecida ou citada na bibliografia contemporânea, merece contudo alguma atenção pela antiguidade, quer da quinta, quer da Capela que nela se encontrava edificada, que era dedicada a Nossa Senhora da Esperança.

A Quinta não terá sido edificada pelo referido Gaspar Pereira do Lago, pois este Cavaleiro da Ordem de Cristo, foi morto no referido episódio do “Rei da Ericeira” * em 1585, e a Capela de Nossa Senhora da Esperança, anexa à quinta, foi edificada, segundo João Baptista de Castro (Mappa de Portugal Antigo e Moderno, 1763), em 1599 por D.ª Brites Velasco, a qual vinculou a Quinta da Malvásia a um legado pio.

Em 1666 a Ermida encontrava-se suspensa por falta de Licença de erecção e para se dizer Missa, sendo pedida uma nova licença por Maria da Cunha, viúva de Gaspar Pereira do Lago, Fidalgo da Casa Real (c. 1600-?), não o citado anteriormente, mas o seu neto, filho de Baltasar Pereira do Lago, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Fidalgo da Casa Real (c. 1570-?).
Pedida a licença ao Cabido da Sé de Lisboa foi a mesma concedida por Provisão de 20 de Julho de 1666 (Cfr. Petição in DGARQ-TT, CEL, M.1809, n.254; Provisão in AHPL, Ms. 291, f. 7)

A quinta terá passado depois ao filho de Maria da Cunha e Gaspar Pereira do Lago, Baltasar Pereira do Lago, Fidalgo da Casa Real (c. 1630-?), e depois ao filho deste com Maria Micaela da Silva, Gaspar Pereira do Lago, Fidalgo da Casa Real (c. 1665-?).

Em 1706 é descrita assim por António Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa:
«(Unhos) Tem muytas quintas como he a da Malvazia que fica junto ao rio que vay para o Lugar de Friellas da qual he hoje senhor Gaspar Pereyra do Lago, cujo terceyro avô foy Gaspar Pereyra do Lago oriundo da Provincia de Entre Douro & Minho Fidalgo honrado da familia dos Pereyras do Lago da mesma Provincia o qual seguio nesta Corte as letras & sendo Corregedor do Crime da Corte o matarão os levantados que seguião o Ermitão da Eyriceira foy casado com D. Antonia do Casal mulher muyto nobre do que teve a Balthazar Pereyra do Lago Fidalgo da Casa de Sua Magestade & Cavalleyro na Ordem de Christo o qual casou com D Leonor de Gouvea irmã de Francisco Vaz de Gouvea que foy Arcediago de Villa nova de Cerveyra Lente em Canones na Universidade de Coimbra & Desembargador do Paço de que teve a Gaspar Pereyra do Lago Fidalgo da Casa de Sua Magestade o qual casou com D Maria da Cunha mulher muyto nobre da Cidade de Braga de que teve a Balthazar Pereyra do Lago Fidalgo da Casa de Sua Magestade & Alcayde mór da Villa de Ferreyra na Provincia do Alentejo o qual casou com D Maria Eufrasia Josefa de quem não teve filhos & fora do matrimónio teve ao sobredito Gaspar Pereyra do Lago que he o successor da casa de seu pay & a D Catharina Caetana do Lago».

Dada antiguidade da Ermida foi esta reedificada entre 1739 e 1741 por Gaspar Pereira do Lago, Fidalgo da Casa Real, precedida da respectiva licença de reedificação do Cabido da Sé de Lisboa Oriental, dada em 25 de Agosto de 1739.
Após a conclusão das obras de reedificação continuou a dizer-se Missa nesta Ermida por Provisão de 1 de Fevereiro de 1741.
(Cfr. Petição in DGARQ-TT, CEL, M.1809, n.144; Provisão in AHPL, Ms. 24, f. 553)

Em 1763 registamos obras na quinta, o que poderá indiciar que a mesma terá tido alguns danos significativos na sequência do terramoto de 1755, e que poderão ter inclusive causado o impedimento da Ermida, pelo menos esta não é citada pelo Prior de Unhos na sua Memória Paroquial de 1758.

As obras de 1763 foram mandadas fazer em Setembro desse ano por Baltasar Manuel Pereira do Lago, filho de Gaspar Pereira do Lago e Luísa Teresa de Mendonça, e Governador de Moçambique (1765-1779), a José António de Abreu (mestre carpinteiro) e Manuel Jorge Delgado (mestre carpinteiro), que depois se associaram a Miguel Pereira (ferreiro). O contrato da obra e da sociedade foram registados na Nota de Bartolomeu Ângelo Escopery (tabelião público de Lisboa), conforme se regista nos Livros do Distribuidor de 1763:
f. 12 (Set)           Contrato e Obrigação = Balthazar Manuel Pereira do Lago com Joze António de Abreu, carpinteiro e Manuel Jorge Delgado, pedrº = sobre obras na quinta da Malvazia, em Sacavém, cuja despeza, q constar por medição vencerá juros a 5 por 100; e tudo se pagará pela consignação anual de 200$000 réis na renda da dita quinta e outra perto della; e por todo o mez de Abril de 1764 dará mais elle Senhorio aos ditos mestres cem mil reis ou em dinheiro ou em madeira de castanho q habaterão na importância da dita obra: fiador e principal pagador pelo dito Senhorio ficou João de Anvers Pacheco, morador no sítio de N.S. da Lapa.
f. 12 (Set)           Sociedade = os mestres acima com Miguel Pereira, ferreiro = sobre obras de que trata o contrato acima para elle Miguel concorrer com o dinheiro e ferragens precisas e será caixa desta sociedade e de 4.ª parte vai interessado em duas e meia, digo em parte e meia e as duas meia são para o os outros dous sócios repartidas igualmente entre ambos, mas da consignação se pagará primeiro ao dito Miguel com o q entrar.
(DGARQ-ADL, CDL, Cx. 40, L. 124, f. 12)


Baltasar Manuel Pereira do Lago, casado com Joaquina Tomásia de Almeida, apenas teve uma filha Francisca Maria Paula de Almeida Pereira do Lago, que casou com João Pestana Pereira, de quem teve 6 filhos, o mais velho dos quais Henrique José Pestana Pereira do Lago.

Finalmente em 1873 o Rei D. Luís concedeu a Daniel Ferreira Pestana (c. 1823 - ?), Comendador da Ordem de Cristo, Cavaleiro da Ordem de Avis e da Conceição, e mililtar ilustre em Goa (descendente dos anteriores ?) a «Administração vitalícia de uma quinta chamada Malvazia em Sacavém e umas terras no sítio Pampulha, pertencentes ao vínculo instituído por D. Brites» por Carta de 30 de Dezembro de 1873 (Cfr. DGARQ-TT, Registo Geral de Mercês de D. Luís I, L. 56, f. 209v).

Na sequência da escritura de doação da Quinta da Malvazia, foi criado, pelo Decreto-Lei nº 176-B/88, de 18 de Maio, o Centro de Investigação e Formação Maria Cândida Marques de Sousa Beirão da Veiga Cunha, e consequentemente a orgânica do Secretariado Nacional de Reabilitação passou a integrar o serviço “Centro Maria Cândida da Cunha”.


Notas:
* Mateus Alvares, filho de um pedreiro Açoriano e Ermitão da Ermida de São Julião, próxima da Ericeira, fez-se passar por D. Sebastião em 1585, sendo apoiado por um lavrador da zona, um tal Pedro Afonso, que conseguiu armar uma insubordinação popular de 800 homens da região da Ericeira, Mafra, Torres Vedras e Sintra. Quando o Corregedor, a mando do governo de Lisboa, se deslocou à Ericeira, foi preso, juntamente com o seu escrivão, e ambos foram lançados ao mar. Finalmente, o governo de Lisboa, com uma força bem armada, conseguiu prender o falso rei, que acabou condenado à forca, sendo enforcado em 14 de Junho de 1585. Quanto aos restantes insubordinados foram perdoados por mercê do rei Filipe II de Espanha, I de Portugal.

Fontes:
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=115372
http:// www.inr.pt/content/1/49/historial
DGARQ-TT, CEL: Torre do Tombo, Câmara Eclesiástica de Lisboa
DGARQ-ADL, CDL: Arquivo Distrital de Lisboa, Cartório do Distribuidor de Lisboa
AHPL: Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa
P. João Baptista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e derno
P. António Carvalho da Costa, Corografia Portuguesa
Diccionario bibliographico portuguez: (1-6 do supplemento) A-Lourenço ... Por Innocencio Francisco da Silva       

RUI M. MENDES
Caparica, 26 de Junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quinta de Palhais (Loures)


A Quinta de Palhais (Loures) e a sua Capela de Nossa Senhora dos Prazeres


Na Freguesia de Loures, na Quinta de Palhais, que pertenceu ao Conde de Castelo Melhor existe uma antiga Capela dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, embora o imóvel não se encontre classificado, trata-se de um interessante exemplo de arquitectura civil da primeira metade do século XVIII, que, como em outros casos semelhantes, contemplava também o seu espaço religioso, neste caso uma Ermida pública com porta para a rua.

Das fontes conhecidas (ver extractos abaixo) são referidos elementos (p.ex. os azulejos e o campanário) que parecem datar a capela do período de 1726~1730.

Efectivamente a actual Capela será um pouco anterior a estas datas, mais exactamente de 1721, pois é neste ano, mais precisamente em 8 de Agosto, que D. Froilo de Vasconcelos da Cunha, Secretário da Junta dos 3 Estados [e Fidalgo da Casa Real], então morador na rua de S. Boaventura, freguesia de N.S. das Mercês, Lisboa Ocidental, se obriga a dotar em 6$000 réis anuais a Fábrica da Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres que edificou na sua Quinta de Palhaes, na freguesia de Santa Maria de Loures (cfr. Escritura de Dote pelo Tabelião João de Azevedo – DGARQ/TT, Notariais de Lisboa, Of.º 1-A, Cx. 41, L. 404, f. 35v).

Este Dote, que fica vinculado aos rendimentos da quinta, serviria para os ornamentos e mais necessidades da ermida, conforme se determinava nas Constituições para obtenção da devida licença de culto para nela se dizer missa como ermida pública.

A Licença de culto foi concedida por Provisão de D. Tomás de Almeida, Cardeal Patriarca de Lisboa, dada em 12 de Agosto de 1721 (DGARQ/TT, Câmara Eclesiástica de Lisboa, Mç. 1808, n. 319).

Em 1758, 1760, e 1763 a Ermida aparece como pertencendo ao Conde de Castelo Melhor, que seria então D. José de Vasconcelos e Sousa Caminha Camara Faro e Veiga, depois 1.º marquês de Castelo Melhor (Título criado por D. José I, rei de Portugal por carta de 10-10-1766, cfr. http://www.geneall.net/P/tit_page.php?id=369).

No início do século XIX foi esta quinta vendida a Claudino José Carrilho, passando depois a D.ª Emília Carolina Carrilho Avellar Telles, e em 1909 pertencia aos seus dois filhos.

A Ermida aparece descrita em 1909 como sendo «ornada até meia altura das paredes interiores de bello antigo azulejo, com pavimento de ladrilho». Na mesma altura ainda lá existiam também em tela dois quadros a óleo de S. Pedro e S. Paulo.
Nela se fazia todos os anos a festa de Nossa Senhora dos Prazeres com concorrido arraial e procissão, saindo sobre andores a imagem grande da padroeira e «algumas outras Imagens mais pequenas, das muitas que lá existiram em vulto; procissão que dava volta ao cruzeiro da Via Sacra, a meio kilómetro, o qual ainda existe próximo de uma ponte (1909)» (Fonte: Joaquim José da Silva Mendes Leal, Admirável Egreja Matriz de Loures (…),1909, pp. 182-183)

Descrições:
(1758)
«No Lugar de Palhaes a Ermida de N. S. dos Prazeres na Quinta do Ex.mo Conde de Cast.º Milhor. Com porta Publica».
Fonte: DGARQ-TT, Memórias Paroquiais , Loures
(1760)
«Em a quinta de Palhais do Conde Castelo Melhor [Fl. 45 r] dedicada à Senhora dos Prazeres».
Fonte: Isaías da Rosa Pereira, «Subsídios para a História da Diocese de Lisboa do Século XVIII - Arquivo da Cúria Patriarcal de Lisboa, Visitas de 1760, ms.54»; Lisboa: Acad. Port. de História (Subsídios para a História Portuguesa, 18)
(1763)
«Nossa Senhora dos Prazeres Em Palhaes na quinta que hoje pos sue o conde de Castello Melhor»
Fonte: João Baptista de Castro, Mappa de Portugal antigo e moderno, Volume 3, 2.ª Ed. p. 278
(1909)
«Palhaes – No alto de Palhaes, á esquerda está a casa e terrenos, Morgado pertencente e foreiro ao Convento de Odivellas; e á direita a casa, quinta e pomar, propriedade que fora da titular casa Castello Melhor, que vendida haverá um século passou por contracto de venda para Claudino José Carrilho, pertencendo depois em partilha á Ex. m:ª Sr. a D. Emília Carolina Carrilho Avellar Telles, e hoje a seus dois filhos. A respeitosa Ermida é ornada até meia altura das paredes interiores de bello antigo azulejo, com pavimento de ladrilho. Ainda lá existem em tella dois quadros a óleo, quasi tamanho natural de S. Pedro e S. Paulo; todos os annos se fazia n'esta Ermida a festa do orago e concorrido arraial, sahindo sobre andores em procissão, a grande Imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, titular da Ermida, e algumas outras Imagens mais pequenas, das muitas que lá existiram em vulto; procissão que dava volta ao cruzeiro da Via Sacra, a meio kilómetro, o qual ainda existe próximo de uma ponte».
Fonte: Joaquim José da Silva Mendes Leal, Admirável Egreja Matriz de Loures (…),1909, pp. 182-183
(séc. XXI)
A residência ostenta uma elegante escadaria exterior de acesso ao andar nobre, onde se verifica uma sucessão de dependências ornadas de azulejos datados de 1730. Possui capela integrada na fachada lateral. A fachada da capela é dominada por um grande janelão de cantarias trabalhadas e pelo campanário construído, ou restaurado, em 1726. É dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres. A quinta pertenceu originariamente aos Condes de Castelo Melhor.

(texto acrescentado em 10 de Junho de 2011)

Quinta de Palhais, Palhais, Loures

QUINTA
«Casa organizada em comprimento e prolongada ainda por construções anexas. Ao longo do caminho toda a correnteza só tem paredes cegas. Ao longo do lado contrário, viradas ao terreiro interior, estão quase todas as aberturas e as duas escadas exteriores que sobem encostadas ao edifício, uma com acesso à "casa de fora" e a outra a um dos corpos anexos. O terreiro é aberto à paisagem, no lado oposto à habitação, e fechado nos lados mais curtos por uma abegoaria e por um braço estreito, com terraço, em frente à porta principal, sob o qual fica o portão de entrada no terreiro. Do lado de fora, na continuidade da parede do portão, tem a residência duas únicas varandas às quais se segue a fachada da capela, corpo rectangular encostado ao comprido do lado cego da habitação. Em frente à porta da capela e à empena da casa há um recinto, outrora semi-público, hoje gradeado.
Segundo a actual inquilina e descendente dos primitivos proprietários (Condes de Castelo Melhor) a casa destinava-se apenas ao recebimento de rendas. No campanário estarão inscritas as datas de 1580, fundação da capela, e 1726, restauro da mesma e da casa.
Exteriormente a construção é simples, rebocada e caiada, as molduras dos vãos são rectas e lisas, e as varandas têm grades com o desenho corrente no século XVII e primeira metade do século XVIII.
As salas do piso nobre, mesmo as muito pequenas, têm altos silhares de azulejo joanino e tectos de masseira. E natural que o piso térreo se tivesse destinado inicialmente a serviços. Obras tanto do século XIX como recentes adaptaram-no também a habitação.
A capela é coberta com abóbada de berço abatido, tem coro, sacristia/corredor atrás da parede do altar e azulejos de finais do século XVII ou princípios do século XVIII que, pelos temas versados, não devem estar na situação original.»

CAPELA
Na fachada principal, de planta base rectangular corresponde a uma das três variantes: a que não tem capela-mor, o que acontece normalmente nas Capelas rurais mais pequenas (por ex. como na Casa de Vila Fria, e nas Quintas da Serra Sassoeiros, da Madre de Deus - Sintra, e da Casa de Massarelos - Caxias). A cobertura da nave é de abóbada de berço.
A Pequena sacristia com duas portas na parede do altar, compartimento rectangular muito estreito, como um corredor, que ocupa em comprimento toda a largura da capela por trás da cabeceira. Tribuna ao lado do altar para utilização dos donos da casa.
Fonte: João Vieira Caldas, A Casa Rural dos Arredores de Lisboa no Século XVIII, 1988, 2.ª Ed. 1999, pp. 64, 75, 76, 394

QUINTA
«Esta casa, construída em 1580, com a sua escada exterior, o seu andar nobre onde as pequenas divisões contíguas, muito arranjadas, são coroadas por tectos em masseira e decoradas por azulejos que representam cestos com flores datados de 1730, aparentemente nada tem de original. Contudo possui algo de bastante raro: a posição da capela, situada na fachada lateral mais estreita, realçada pela cantaria de uma janela e por um campanário. Esta parece ter sido construída ou restaurada em 1726, tal como indica uma inscrição no campanário. Foi consagrada a Nossa Senhora dos Prazeres: «todos os anos se fazia nela uma grandiosa festa com arraial. A procissão dava a volta ao cruzeiro que existia à entrada da povoação...» Curiosamente, no interior, os lambris de azulejos, provenientes talvez de uma demolição, representam cenas de caça. A do leão, quase idêntica à do Palácio do Correio-Mor, que é atribuída a Bartolomeu Antunes por volta de 1740, parece ter sido inspirada pela mesma gravura. A sacristia é decorada de forma clássica, por azulejos de figura avulsa.
A quinta, propriedade dos condes de Castelo Melhor, pertenceu em seguida à família Carrilho Avellar Telles».

Fonte: Anne de Stoop, Quintas e Palácios nos Arredores de Lisboa, 1986, Ed. 1999, p. 370


RUI M. MENDES
Caparica, 31 de Maio de 2011